Time

[Eng] The change of year in the Gregorian calendar has been an event widely commemorated by mankind for a long time.

Close to the winter solstice in the northern hemisphere, or summer solstice in the southern hemisphere, the feeling inherited by modern humanity from our ancestors is one of cleanliness of what happened in the previous year: cleansing of ill omens, ills, diseases, of misfortunes and disagreements, cleaning up what causes pain and building a perspective of good fortune (in the sense of luck, according to the etymology of the word), good health, good surprises and events, good relationships, for the year that starts.

The mystic, however, cannot be held hostage, and indeed is not, of a simple temporal convention, in his spiritual work, in his development of his soul personality, in his expansion of consciousness. This is because a convention of the objective mind does not provide any kind of effective convention to the parasympathetic system and the subjective mind.

If so, the mystic would not have any connection with his past masters. While still masters, they must be listened to, they must be respected, we must continue to learn from them because the sum of their wisdom is infinite. They are present in spite of time, which is a simple convention of the objective mind…

The masters of the past, as well as the masters of today, and the masters of the future, nurtured an egregore of many millennia, which began to be formed from what we can conceive of as the beginning of our primordial tradition. How could the mystic enjoy this egregore to its fullest, while nurturing it and guaranteeing mystical reciprocity, if his mind is constrained by the limitations of a simple calendar?

The mind of a Rosicrucian, as mystic that he is, must traverse not only space but also time. It flies over the seas of time to reach the islands of understanding. It observes the influence of all the stars at the same time and at all times, and is able to harmonize with them at all times. For the Rosicrucian, there is no specific position of the Earth in relation to the Sun, in relation to the other stars and to all the constellations and stars of the cosmos, as all the specificities are present at the same moment and must be felt in their fullness, as much as possible (and the impossible is only the possible expanded beyond objective imagination).

There is a hermetic principle that affirms the broad movement of everything. In Divine Pymander, a component of the Corpus Hermeticum, it is clear that a characteristic of the plan of creation is precisely this: that things are in constant motion. Yet another principle is that all these movements have a rhythm, or a cadence. But we can say nothing about the beginning, middle or end of each movement. Our minds are too addicted to reasoning in terms of the cyclicality of things. The mystic cannot, however, create cycles where they do not exist or, at most, understand each cycle within a much wider universe of cycles that, even though they concern movement and rhythm, have nothing to be constrained by an abstraction like time. It is not because successive repetitions are successive that time exists: it is simply a characteristic of the objective mind to create a panoramic view of successive events as successive in time. The fact is that your subjective mind, or your broader consciousness, can access any cycle that has already occurred, or any cycle yet to occur, for they are not genuine cycles but abstractions of the objective mind. It is not because a planet circles a star that any convention regarding the beginning or end of that orbital cycle is in fact the genuine beginning or end of a cycle that does not exist.

And the worst: man conditions his emotions to this abstraction. A Rosicrucian cannot, and does not, such folly.

[Por] A mudança de ano no calendário Gregoriano é um evento amplamente comemorado pela humanidade, há muito tempo.

Em proximidade com o solstício de inverno no hemisfério norte, ou de verão, no hemisfério sul, o sentimento herdado pela humanidade moderna de nossos antepassados é o de limpeza do que se passou no ano anterior: limpeza de maus agouros, de mazelas, de doenças, de infortúnios e desavenças, limpeza daquilo que provoca dor e a construção de uma perspectiva de boa fortuna (no sentido de sorte, conforme a etimologia da palavra), de boa saúde, de boas surpresas e acontecimentos, de bons relacionamentos, para o ano que se inicia.

O místico, entretanto, não pode ficar refém, e de fato não fica, de uma simples convenção temporal, em seu trabalho espiritual, em seu desenvolvimento de sua personalidade alma, em sua expansão de consciência. Isto porque uma convenção da mente objetiva não proporciona qualquer tipo de convenção efetiva ao sistema parassimpático e à mente subjetiva.

Fosse assim o místico não conseguiria qualquer conexão com seus mestres do passado. Porquanto ainda mestres, devem ser ouvidos, devem ser respeitados, devemos continuar aprendendo com eles pois o somatório de suas sabedorias é infinito. Eles estão presentes, a despeito do tempo, que é simples convenção da mente objetiva…

Os mestres do passado, assim como os mestres atuais, e os mestres do futuro, alimentaram uma egrégora de muitos milênios, que começou a ser formada desde o que podemos conceber como sendo o início de nossa tradição primordial. Como poderia o místico usufruir desta egrégora em sua plenitude, enquanto a alimenta e garante a reciprocidade mística, se sua mente é restringida pelas limitações de um simples calendário?

A mente de um Rosacruz, como místico que é, deve atravessar não só o espaço, mas também o tempo. Ela voa sobre os mares do tempo para alcançar as ilhas do entendimento. Ela observa a influência de todos os astros ao mesmo tempo e em todos os tempos, e é capaz de se harmonizar com eles a todo momento. Para o Rosacruz não existe posição específica da Terra em relação ao Sol, em relação aos outros astros e a todas as constelações e estrelas do cosmos, pois todas as especificidades estão presentes ao mesmo momento e devem ser sentidas em sua plenitude, tanto quanto possível (e o impossível é apenas o possível expandido além da imaginação objetiva).

Há um princípio hermético que afirma o amplo movimento de tudo. No Divino Pymander, componente do Corpus Hermeticum, fica claro que uma característica do plano da criação é justamente esta: a de que as coisas estão em movimento incessante. Outro princípio ainda reza que todo este movimento tem um ritmo, ou uma cadência. Mas nada podemos dizer a respeito do começo, meio ou fim de cada movimento. Nossa mente é por demais viciada em raciocinar em termos de ciclicidade das coisas. O místico não pode, no entanto, criar ciclos onde eles não existem ou, no máximo, entender cada ciclo dentro de um universo muito mais amplo de ciclos que, ainda que digam respeito a movimento e ritmo, nada tem a ser restringidos por uma abstração como o tempo. Não é porque repetições sucessivas sejam sucessivas que o tempo existe: é simplesmente uma característica da mente objetiva criar uma visão panorâmica de eventos sucessivos como sucessivos no tempo. Fato é que sua mente subjetiva, ou sua consciência mais ampla, pode acessar qualquer ciclo já ocorrido, ou qualquer ciclo ainda por ocorrer, pois não são ciclos genuínos e sim abstrações da mente objetiva. Não é porque um planeta circula ao redor de uma estrela que qualquer convenção a respeito do início ou fim daquele ciclo orbital seja de fato o início ou fim genuíno de um ciclo que não existe.

E o pior: o homem condiciona suas emoções à essa abstração. Um Rosacruz não pode, e não faz, tal desatino.

The Author / O Autor / Anno R+C 3.374

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